Introdução ao mundo da Pixação

Pixo de Rua
O pixo

Sendo bem simplista, pixação é o ato de escrever ou desenhar em muros, utilizando spray, tinta, canetões, entre outros materiais. Normalmente são mensagens de protestos, polêmicas, assinaturas de nomes, divulgação de grupos e até mesmo marcação de território.

É importante reforçar que a pixação existe há muito tempo, mas não como nós conhecemos atualmente. No período da Antiguidade é possível identificarmos elementos de pixação, como por exemplo, a erupção do vulcão Vesúvio, que preservou inscritos nos muros da cidade de Pompeia. Os muros continham desde xingamentos até propaganda política e poesias.

Com o passar dos anos, a pixação sofreu mudanças e se adaptou a cada época. Após a Segunda Guerra Mundial, com a popularização do uso do aerossol, ela ganhou mais agilidade e mobilidade. Na revolta estudantil de 1968, em Paris, o spray foi usado como forma de protesto contra as instituições universitárias e como manifestação pela liberdade de expressão.

No Brasil, a pixação é considerada vandalismo e crime ambiental desde 1988, nos termos do artigo 65 da Lei 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais), que estipula pena de detenção de três meses a um ano, e multa para quem pixar, grafitar ou por qualquer meio conspurcar edificação ou monumento urbano.

 

Meu primeiro contato

“Em 2003 foi meu primeiro ano em uma escola estadual, após sair de um colégio municipal, e foi quando eu descobri o que era a pixação. Lembro da escola ser inteiramente pixada, sem espaços limpos em qualquer lugar que fosse. Ficava tentando compreender o que aquelas letras diziam, algumas vezes conseguia e outras não. Conforme foi passando o ano, eu vi muita gente se aventurando naquilo com adrenalina e deixando mensagens nos muros. Todo mundo sentia vontade de se expressar dessa forma e ter o nome em destaque era uma coisa importante, todos queriam ser além de coadjuvantes.

Conforme fui entendendo as mensagens daquelas pixações, descobri palavras que desconhecia, como: rebeldia, anarquia, entre outras. As formas das tipografias me chamavam cada vez mais a atenção e também a rapidez como tudo aquilo era feito e mesmo assim tinham um resultado incrível. Para um garoto de periferia, que a única diversão era jogar futebol e brincar na rua, certamente ali foi o meu primeiro contato com algum resquício de arte. Tive essa sensação mesmo com os adultos ao meu redor odiando cegamente a pixação, sem compreender as outras razões envolvidas com a sua prática.

O que posso dizer que entendi, é que as pessoas estavam criando sua própria cultura, com os recursos e métodos que elas conheciam, diante da realidade que estavam vivendo. O pixo questiona o conceito de arte, o capitalismo, os limites da propriedade privada, como encaramos o mundo e refletimos sobre nós mesmos. Agradeço por ter conhecido a pixação, por mais que muitas pessoas não entendam (e na real nem precisa entender mesmo) eu consegui enxergar diferentes razões da pixação existir, que vão muito além da estética das tipografias. Sentir adrenalina, construir um espaço ou mesmo pixar por amor a pixação, cada um tem a sua razão. Você pode gostar ou não, mas a pixação continuará independentemente da opinião da sociedade”.

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Pixação Política:

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Algumas contas do Instagram para você acompanhar:

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As letras do pixo nos levam a boas reflexões, assim como a arte. A ideia desse texto foi dar uma introdução ao pixo e questionar um pouco sobre a relação da sociedade com a pixação. Espero que tenham curtido!

 

Alguns documentários para você se aprofundar mais: