Conversação c/ Designers da Verdurada #3

Verdurada Cartazes Posters

Bate papo o Frederico Freitas, Tagori Mazzoni, André Mesquita e o Felipe Madureira sobre os cartazes da Verdurada, para entender um pouco mais como foi o inicio, o desenvolvimento, referências, entre outras coisas.

Rubrica: A Verdurada existe desde 1996, como eram criados os primeiros cartazes para esses eventos? O que era usado na hora da criação? Pós popularização da internet mudou a maneira de criação? 
Frederico Freitas (Fred): Eu fiz todos os cartazes da Verdurada, da primeira, em setembro de 1996, até o 7º Festival hardcore, de julho de 2002. Naquele ano eu me aposentei do Coletivo Verdurada e os outros membros começaram a fazer os cartazes, o que trouxe mais variedade para a parada. Depois eles me convidaram para fazer mais um cartaz, a de agosto de 2006. No total eu fiz 36 dos 77 cartazes da Verdurada. Acho que a diferença entre o meu primeiro cartaz, de 1996 e o meu último, de 2006, exemplifica bem a minha evolução fazendo cartazes. O primeiro, que tem um desenho de uma bomba, foi feito em Corel Draw, de maneira bem básica (estava aprendendo), usando clip art (a bomba). O último que eu fiz, que tem um desenho de um monstro capitalista com vários braços, fiz em Illustrator, fazendo a ilustração original no vetor. Quando eu comecei a fazer cartazes por volta de 1994, a referência eram cartazes tradicionais de show hardcore dos anos 90, com imagens de show. Eu meio que inovei colocando umas imagens mais inusitadas, tipo uma foto dos Jackson 5, que na época teve gente que considerava “inapropriada” para um cartaz de hardcore (a ironia não era uma característica predominante dos anos 90). Mas em termos de técnica os cartazes que eu fazia, no geral, eram bem básicos, com cara de computador mesmo.
Tagori Mazzoni: No começo era só o Fred que fazia os cartazes, eu mudei pra SP em 2002, e acho que foi no festival daquele ano que eu fiz o primeiro cartaz junto com o Fred, e depois disso aí eu fui o responsável pela maioria dos processos de impressão e colagem/distribuição mas, que eu lembre, não fiz mais nenhum dos cartazes. Eu sempre usei Photoshop e Illustrator, comecei usando Corel Draw e Pagemaker, mas passei a usar mais Illustrator por volta de 96/97 por influência do Fred também.
André Mesquita (Dedé): Eu já estava no coletivo há algum tempo antes de fazer o primeiro cartaz. O primeiro que eu fiz foi para uma Verdurada que aconteceu em 2002. Basicamente usava Illustrator para desenhar (aprendi a mexer sozinho no programa e pegando dicas com amigos). Chegamos a um formato fácil e rápido de criar e imprimir cartaz, desenhando no computador ou vetorizando algo já existente, incluindo outras imagens e, às vezes, mudando os seus sentidos originais. Em alguns cartazes, eu desenhava algo à mão e depois escaneava a imagem e vetorizava. O vetor sempre foi a nossa arma. Prático e fácil, mas sempre buscando usar com bom senso.
Felipe Madureira: Eu comecei a fazer cartazes pra Verdurada por volta de 2002/2003. Sempre usei photoshop e, em alguns deles, desenhei na mão e depois pintei no PS. (Tipo aquele do rato-caveira quando o Ratos de Porão tocou).

Felipe Madureira
Cartaz por: Felipe Madureira

Rubrica: Quais eram as referências para criação desses materiais naquele tempo? Como era o acesso a cartazes/artes de outros lugares?
Frederico Freitas: Eu comecei a fazer cartaz de show em 1994-1995, quando comecei a organizar shows de matinês de hardcore no Black Jack, um bar de metal no qual eu trabalhava de caixa na zona sul de SP. No final de 1996 eu comecei a trabalhar em um estúdio de design e animação, meio como estagiário, e as minhas referências eram os livros de design que haviam por ali. Depois comecei a incorporar outras referências, coisas de hip-hop e capas de disco de jazz da Blue Note. Mas nada muito sofisticado. Nos anos 90 o “Coletivo Verdurada” era, basicamente, dois caras, eu e o Jorel (Rethink, Self Conviction, Jah Hell Kick), e eu ainda organizava shows de hardcore em outros lugares, e tudo, antes da internet, dava um trabalhão. Por isso eu priorizava ideias bem básicas e rápidas. Não queria ter muito trabalho fazendo cartaz. Na época eu também comecei a fazer capas de disco—Self Conviction, Point of No Return, Rethink. Em 1998 e em 1999 eu fui para os EUA e trouxe um monte de cartaz de volta, de shows de hardcore que eu fui. Não gostava de nenhum deles e a minha ideia era não fazer nada parecido com o que eu via de cartaz de fora—foto de show com letra universitária em cima. Por isso acabava fazendo uns cartazes que não tinham muito “cara” de hardcore, pelo menos na opinião do Jorel e de outras pessoas na época. Eu achava isso bom, eles achavam isso ruim. Mas eu era o único que estava ali para fazer os cartazes, então eles tinham que me engolir. Acho que na época, final dos anos 90, no Brasil, o único lugar que começou a ter uns cartazes mais interessantes foi a cena de Curitiba, com gente talentosa como o Mário Alencar. Na época também, final dos anos 90, começo dos anos 2000, eu já fazia vários trabalhos de design profissionalmente—fiz várias capas de discos de techno e drum’n’bass para a Trama, uma gravadora da época. E isso influenciava um pouco minhas referências. Nos anos 2000 os cartazes de hardocre e punk (e de rock alternativo de uma maneira geral) deram uma melhorada substancial, tanto no Brasil quanto nos EUA e Europa. Lembro que quando fui tocar com o Point Of No Return na Europa em 2000 e 2002 vi vários cartazes mais interessantes. Um pouco depois, sites como GigPosters, começaram a compilar e vender cartazes de show, e para mim viraram uma referência. Mas nessa época eu já estava quase parando de fazer cartazes, quando passei a tocha para o Tagori, André Mesquita, Madureira e outros.
Tagori Mazzoni: Quando eu entrei para o Coletivo Verdurada eu já trabalhava como designer gráfico, já tinha trabalhado em gráficas e editora de livro e revista e fazia capa de disco e camisetas para a Highlight Sounds, Liberation Records e umas marcas de skate. Eu sempre curti arte punk mas nessa época eu tinha mais influência de uns designers como o David Carson, que não era “punk” mas fazia uma design sujo que definitivamente bebia na fonte do punk. Eu não via isso na época, mas alguns amigos me falavam que meu estilo era meio tech, minha carreira como designer foi pra esse lado também, me interessando mais por 3D e efeitos especiais.
André Mesquita: Antes de desenhar os cartazes da Verdurada, cheguei a fazer algumas capas de demos e discos, como a arte para o cd do No Violence, “Consensus”. Nessa época, muitas das referências que eu tinha vinham, logicamente, do punk, mas também de uma estética de internet e publicações alternativas da década de 1990. Lembro de querer experimentar as inúmeras fontes “sujas” ou “contemporâneas” que estavam disponíveis em sites e fazer alguma coisa diferente – por exemplo, nesse momento eu tava muito inspirado pelas coisas que o David Carson fazia em revistas como RAYGUN e pela revista canadense Adbusters.
As minhas primeiras referências foram, sem dúvida, as capas e encartes de discos de selos como Dischord (além dos cartazes de shows na década de 1980, como esse aqui, que é maravilhoso: https://imgur.com/a/PrZlQ4p ); SST, Revelation e Ebullition, os trabalhos da Gee Vaucher, Jamie Reid, Jason Farrell, John Yates, Winston Smith, fanzines que eu colecionava, Maximumrocknroll…. às vezes pesquisava umas referências nas capas de discos de jazz e de hip hop (isso influenciou em alguns cartazes que eu fiz para a Verdurada). Também aprofundei e busquei muita referência na arte fora de artistas/designers que contribuíram diretamente para o punk, mas que são vistos como uma influência histórica para o que fazemos. Então, as fotomontagens do John Heartfield, o détournement dos situacionistas, os posters do Emory Douglas, ações/cartazes realizados durante as ditaduras militares na América Latina, os pôsteres do ACT UP/Gran Fury foram muito importantes para a minha formação.
Felipe Madureira: Pra mim sempre foi buscando na internet, referências de cartazes russos, espanhóis, arte punk, Gee Vaucher, Art Chantry, Winston Smith, uns anos depois peguei um livrão de posters de show chamado “Art of Modern Rock” que tinham muitos artistas foda. E no nosso círculo rolava bastante gente produzindo coisas como o Flávio Bá e o Mário de Alencar. Aí também passamos a convidar outros artistas para colaborarem com os cartazes, uma época tinha muita gente indo na Verdurada então passamos a vender ingressos antecipados, e também convidamos outros artistas pra colaborarem com isso, fizemos alguns com impressão digital, outros com silk-screen.

Cartaz por: André Mesquita
Cartaz por: André Mesquita

Rubrica: Como funcionava a divulgação desses cartazes? Isso impactava na hora de criar?
Frederico Freitas: Nos anos 90 a internet existia, mas o acesso era bem restrito. Só uma minoria do público hardcore tinha acesso constante. Então o grosso da divulgação eram os cartazes. A maioria dos cartazes eram xerox preto e branco, que era mais barato (o primeiro cartaz colorido da Verdurada que eu fiz foi só em 2001). Eu criava o cartaz, ia na Galeria do Rock no centro de SP e tirava 500 cópias. Umas 150 eu separava para colar em loja da galeria e na rua. Geralmente eu saia a noite com uns 100 cartazes, um pincel, e um balde com cola de farinha de trigo tosca feita em casa, e ia a pé do centro até a Vila Madalena colando cartaz em poste. Os outros 350-400 cartazes eu usava para a mala direta. Tínhamos uma mala direta de endereços que herdamos da Juventude Libertária e da SELF, grupos anarquistas e de direitos dos animais que tínhamos no começo dos anos 90, e todo show tínhamos um caderno e caneta para quem quisesse receber os cartazes. Eu digitava e atualizava os endereços em um banco de dados, imprimia as etiquetas, dobrava os cartazes e colava as etiquetas neles. Mandávamos todos os cartazes como “carta social”, que era a forma mais barata de postar no correio. Lentamente o público da Verdurada ia adquirindo e-mail e chegou uma época que não fazia mais sentido mandar cartaz pelo correio. Mas mesmo assim continuamos colando na rua e na galeria.
Na época que eu comecei a fazer cartaz, no começo dos anos 90, tinha muito cartaz ruim, sem preocupações com a hierarquia de informação, tipologia, etc. Alguns tinham parágrafos inteiros de texto—quem é que vai parar na rua para ler um parágrafo de texto em um cartaz colado em um poste? Quando eu fazia cartaz eu priorizava duas coisas: o nome das bandas (em letras “garrafais”) e a palavra “Verdurada,” que era o que eu queria no começo estabelecer como um evento—na época todo mundo achava o nome uma piada, mas a gente acolhia e usava o “nome piada” mesmo assim. Depois vinha a data, e o resto—preço, endereço, eu colocava sem destaque, pois para mim não era o que iria atrair a atenção. A imagem que eu escolhia também era algo que eu sempre queria que fosse inusitado, para chamar a atenção de quem estivesse na rua ou para ressaltar o cartaz no meio de uma vitrine cheia de cartazes em uma loja na galeria.
Tagori Mazzoni: A partir de 2001 que eu comecei a imprimir e colar os cartazes na rua e nas galerias do centro sempre foi o mesmo esquema, imprimir cartaz na Mara copiadora na galeria do rap (heheh ainda existe a copiadora? ) e subir a rua Augusta colando cartaz em poste até a galeria “dos modernos” na Augusta do lado do Jardins e outro dia pra Vila Madalena e Pinheiros. Eu sempre escalava outras pessoas pra ajudar e sempre que eu chamava ninguém negava, geralmente ia o Dedé, Madureira, Juninho, o Jimmy que morava comigo e mais um monte de gente, engraçado lembrar dessa época.
André Mesquita: Fomos aprendendo aos poucos organizar essa hierarquia de informações nos cartazes e prestar atenção para a memória daquilo que estávamos fazendo. Por exemplo, inicialmente colocávamos nos cartazes somente o dia e o mês em que ia acontecer o show. Quando começamos a nos preocupar em organizar um arquivo da Verdurada, começou a ficar meio confuso no início para lembrar em que ano tinha ocorrido aquele evento. Então, passamos a incluir o ano nos cartazes e isso ajudou bastante. Outra coisa importante, que já foi dita aqui, era sempre procurar manter o nome Vedurada bem legível, assim como os nomes das bandas (que procurávamos colocar no cartaz sem hierarquia e mantendo apenas a ordem que cada uma tocaria no dia do show).
No coletivo Verdurada, quando alguém cria um cartaz, a primeira versão é enviada por e-mail para que os outros integrantes possam opinar sobre a imagem e as informações. No começo eu achava meio chato fazer isso, às vezes não concordava com tudo, mas aos poucos fui aprendendo a ouvir as opiniões e isso ajudava bastante a construir uma ordem de como as informações e as imagens eram mostradas. Em alguns cartazes me preocupei em usar imagens de temas sociais e políticos que estavam acontecendo naquele momento. Como a Verdurada não é só um show de hardcore, mas também um espaço para discussões e palestras, às vezes o tema da palestra influenciava na imagem do cartaz – por exemplo, se houvesse uma palestra sobre gentrificação e direito à cidade, eu buscava trazer alguma referência desse tema para o cartaz.
Eu não me lembro exatamente quando, mas acho que foi depois de 2006 e com o crescimento do uso das redes sociais, nós continuamos a colar cartazes nas ruas, deixar na galeria e em locais de shows, mas começamos a pensar também em disseminar as imagens dos cartazes no orkut, facebook, fotolog, flickr, etc. Usar o instagram para isso veio muito tempo depois! Ao compartilhar digitalmente os cartazes, isso ajudava também a dar uma incrementada em algumas imagens, usando layers e texturas que nem sempre saiam com qualidade nos cartazes impressos.
Felipe Madureira: Sim, a gente sempre tentava ter em mente que tinha que ter uma legibilidade boa temas visuais mais chamativos. Aí às vezes fazíamos cartazes na horizontal para facilitar a distribuição das informações e tal. A gente fazia os coloridos para colar em lojas, restaurantes, etc e os PB que viravam flyers e lambe-lambe, que a gente mesmo colava de noite com cola de farinha de trigo.

 especial vegetarianismo
Especial Vegetarianismo por: Frederico Freitas

Rubrica: Sempre é difícil escolher entre um cartaz favorito no meio de tantos, mas gostaria de saber qual é o de vocês? E por quê?
Frederico Freitas: Desculpa a falta de modéstia, mas o meu favorito é o do especial vegetarianismo, que eu fiz em 2006 depois de estar quatro anos sem fazer cartaz da Verdurada. Eu gosto desse cartaz por vários motivos. Uma porque foi a minha única oportunidade de fazer um cartaz da Verdurada sem estar envolvido na organização (já estava “aposentado” dela), por isso foi feito com tempo, sem a correria de estar fazendo mil coisas ao mesmo tempo. Foi também o único cartaz que eu fiz para a Verdurada no qual eu gastei tempo para fazer do jeito que eu queria. Quando eu fazia cartaz da Verdurada entre 1996 e 2002, eu tentava resolver o cartaz o mais rápido possível porque era mais uma coisa na lista de coisas que eu tinha que resolver para organizar o evento. Esse cartaz de 2006 eu fiz com tempo, fiz o desenho (várias versões no Illustrator) e gostei muito do resultado. E é o cartaz que mais se assemelha no estilo a algumas outras coisas que eu fiz profissionalmente.
Tagori Mazzoni: Putz, tem tanto cartaz da Verdurada que eu amo por vários motivos, acho que todos do Dedé eu tinha na parede e uns até com moldura, o do Fred pra Verdurada do Festival Vegetariano de SP, o de 10 anos da Verdurada eh animal também (o Pedro fez esse? Não lembro) e acho que o mais engraçado eh o do 10 festival com a imagem do GI Joe.
André Mesquita: Esse que o Fred fez para a Verdurada 2006 especial vegetarianismo é consenso, todo mundo gosta dele. Eu gosto desse feito para a Verdurada que rolou em outubro de 2008, porque é um desses que eu desenhei na mão e depois escaneei. Gosto do resultado dele. Eu curto muito uns cartazes pb que o Fred fez, como esse pra Verdurada com o WHN?, e esse aqui que é um clássico com a foto dos Jackson 5 pro show histórico do MDC na Verdurada em 2001.
Felipe Madureira: Meus favoritos são o esse do especial vegetarianismo do Frederico, esse de quando tocou o Dead Fish do Flávio Bá, Esse de quando tocou o Intifada do André, e dos que eu fiz meu favorito é esse do 1º de Maio, que foi um dia muito especial, a primeira vez que lotamos o Galpão do Jabaquara.

 

Rubrica: Construir esses cartazes e participar desse cenário impactou de que forma na vida de vocês?
Frederico Freitas: Isso com certeza fez parte da minha formação pessoal, mas não tenho um saudosismo por essa época, tinha muita coisa boa, mas muita coisa merda também. Muita intriga, picuinha. Eu era muito imaturo também nessa época. E mesmo em relação aos cartazes, eu acredito que os cartazes de hoje em dia são muito melhores que os que eu fazia—hoje tem gente muito mais talentosa fazendo cartaz. De coisas positivas ficaram as amizades, algumas que vem desde antes da Verdurada existir. Outra coisa é que eu acredito que a Verdurada ajudou a popularizar o veganismo a ideia de que animais têm direitos, duas ideias relativamente populares nos grandes centros brasileiros hoje em dia.
Tagori Mazzoni: Sim, com certeza. Fazer cartazes pra show foi o que me fez interessar por design e arte em geral. Participar da Verdurada foi muito importante pra desenvolver minhas visões políticas, eu participei em vários grupos políticos diferentes mas nenhum foi tão próximo ao que eu acredito. As amizades que eu fiz nessa época estão na minha vida até hoje.
André Mesquita: A Verdurada mudou minha vida, conheci meus melhores amigos através dela. Fazer parte do Coletivo Verdurada transformou minha visão e forma de pensar a música e a política. Hoje eu trabalho com arte, sou curador e pesquisador, e para mim é mais do que claro que a Verdurada influenciou meu modo de trabalhar e de tomar decisões de forma coletiva, nas referências dos temas que eu investigo e de perceber que arte e política andam sempre juntas. O tema dos cartazes acabou voltando na minha vida há algum tempo por conta de uma exposição que estou fazendo a curadoria com um outro coletivo/plataforma de artistas, pesquisadores e ativistas latino-americanos que faço parte há mais de dez anos chamado Red Conceptualismos del Sur. Estamos fazendo uma exposição que será inaugurada em 2022 em Madri e que mostrará ações de diversos coletivos e movimentos sociais na América Latina e Estados Unidos baseadas em campanhas gráficas referentes a temas como feminismo, migração e fronteira, violência de Estado, racismo, entre outros. Para participar do projeto da exposição, convidei também um amigo que é membro da cooperativa de artistas/ativistas baseada nos Estados Unidos chamada Justseeds – confiram o trabalho dessa cooperativa, porque as campanhas gráficas que esses artistas fazem são incríveis, alguns dos melhores pôsteres que vi nos últimos anos. Também estou fazendo vários diagramas para essa exposição. Minha prática com Illustrator acabou se convertendo, nos últimos anos, em desenho de mapas e diagramas que ajudam a visualizar conceitos e relações de poder.
Vale lembrar também que a última Verdurada que fizemos foi em fevereiro de 2016 e eu fiz esse cartaz. Depois dessa, a Verdurada entrou num “hiato” (odeio essa palavra, mas foi isso). Nós ainda conversamos sobre possibilidades de voltar com a Verdurada, mas tudo isso depende das circunstâncias atuais e de como estamos engajados, e é normal que as pessoas estejam ocupadas com outros compromissos. Uma das coisas mais importantes que eu aprendi com a Verdurada é não sentir nostalgia e saudosismo pelo que já aconteceu, o que importa é o agora. Se fizermos uma próxima Verdurada é porque as pessoas que são parte desse coletivo estarão 100% envolvidas nisso.
Felipe Madureira: Fazer parte da Verdurada é uma das melhores coisas que já fiz na vida, e foi onde fiz minhas amizades mais duradouras com as melhores e mais inteligentes pessoas que eu já conheci. E fazer os cartazes me ajudou muito a me desenvolver mais como artista e designer e ampliar minha percepção de arte e ativismo.

Cartaz por: Tagori Mazzoni
Cartaz por: Tagori Mazzoni

Rubrica: O que vocês deixariam de dicas para quem está começando a criar seus materiais? 
Frederico Freitas: Ter a cabeça aberta e buscar referências em lugares inesperados.
Tagori Mazzoni: Pra quem está começando a fazer cartazes/arte agora? Aprender um pouco sobre tipografia ajuda muito, não se prender a um estilo e experimentar com materiais e técnicas diferentes.
Mesmo tendo tudo na internet, não tem como medir o quanto é bom olhar para livros, quadrinhos em papel, não tem resolução que vai fazer uma pintura ser tão bonito quanto em uma mídia impressa.
André Mesquita: Busque referências não apenas no punk. E, principalmente, não tenha medo de experimentar e nem de errar. Nem sempre a internet é capaz de fornecer tudo o que você precisa. Dar um rolê pela cidade e conhecer o que outras pessoas estão fazendo fora da tela do computador é fundamental. Nessa época de quarentena, estamos reinventando nossas formas de trabalhar, de perceber e usar os espaços. Muitas vezes as melhores ideias e alternativas surgem em momentos de crise.
Felipe Madureira: Hoje em dia tem tanta informação que é fácil a gente se perder. O que eu diria é fique de cabeça aberta e sempre procure que influenciou os/as artistas que você curte. Veja de tudo, não se prenda a apenas uma fonte e sempre experimente com coisas novas.

 

Rubrica: Muito obrigado pelo o tempo de vocês.
Frederico Freitas: Muito obrigado pelo convite. Foi ótima a oportunidade de fazer um esforço para relembrar coisas que estavam guardadas no fundo da minha memória.
Tagori Mazzoni: Obrigado por me fazer lembrar de todos os bons momentos que agente teve planejando, desenhando e colando os cartazes na rua.
André Mesquita: Obrigado pelo convite. Faz uma cara que eu não pensava nesses cartazes e foi muito bom lembrar desses momentos. Também fico feliz de saber que a Verdurada ainda é uma referência pela maneira como fazemos as coisas.
Felipe Madureira: Valeu pelo convite, acho muito legal que essas paradas que a gente fez ainda estejam reverberando e influenciando outros. Acho que hoje mais que nunca precisamos fazer as coisas nós mesmos, nos organizarmos com os amigos e agir.

 

Verdurada

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